Se a brincadeira estrutura o sistema, o feedback social define sua precisão..
O comportamento em mamíferos não permanece estático após sua formação inicial. Ele é continuamente ajustado a partir da interação com o ambiente, especialmente através de outros indivíduos. Esse processo envolve a utilização de feedback como sinal de erro, modulando circuitos neurais responsáveis por decisão, inibição e antecipação (Panksepp, 2005).
O ponto central não é a resposta.
É o ajuste da resposta.
Durante a interação, cada ação gera uma consequência. Essa consequência — aceitação, rejeição, interrupção ou intensificação — atua como um sinal que recalibra o sistema. Com repetição, o cérebro passa a antecipar esses resultados, reduzindo erro e refinando comportamento.
O sistema deixa de ser reativo.
Passa a ser preditivo.
No cão, isso se manifesta como capacidade de ajuste fino em tempo real. O indivíduo não apenas responde ao estímulo, mas modula comportamento antes da escalada, com base em experiências anteriores. Há inibição antecipada, adaptação ao contexto e seleção mais precisa de resposta.
Esse nível de organização depende de exposição contínua ao feedback.
Na ausência desse processo, o comportamento não é refinado. O cão pode possuir repertório, mas não desenvolve capacidade de ajuste. As respostas permanecem dependentes do estímulo imediato, com baixa modulação e maior variabilidade.
Não é ausência de aprendizado.
É ausência de calibração.
Sem feedback, não há correção de erro.
E sem correção de erro, o sistema não evolui de execução para previsão.